Ser empático favorece as trocas significativas entre os colegas e a produtividade.
Em um contexto cada vez mais competitivo e individualizante, a empatia se tornou a palavra que nos resgata para outras formas possíveis de viver em sociedade. De acordo com o filósofo australiano Roman Krznaric, autor do livro “O poder da empatia: A arte de se colocar no lugar do outro para transformar o mundo”, mais do que “calçar o sapato do outro”, o termo designa a capacidade de “achar a humanidade compartilhada”.
Segundo o filósofo, o recurso é importante para criar bons relacionamentos, algo fundamental em qualquer ambiente de trabalho. Mas para que uma pessoa possa, de fato, ser empática, é preciso ter uma mentalidade aberta e aprimorar a habilidade de ‘ouvir empaticamente’.
Na prática, isso significa dar oportunidade para que os outros se abram e ouvir atentamente o que têm a dizer. Também é importante considerar os sentimentos e necessidades que o interlocutor transmite, mesmo que inconscientemente.
O neuropsicólogo e mestre em processos de desenvolvimento humano, Fabrício Almeida, explica que a empatia reflete a percepção da necessidade e da vontade do outro. Dessa forma, a compreensão interpessoal se alia como um método de entender os indivíduos que compõem um grupo.
Apesar de ambas as características serem necessárias, principalmente no mercado de trabalho, o Brasil ocupa a 51ª posição de 63 nações analisadas no ranking mundial de países empáticos, de acordo com pesquisa da Universidade de Michigan.
Como desenvolver a empatia:
Colocar em prática a habilidade traz retornos significativos para as relações interpessoais e as profissionais. A empatia possibilita a criação de relacionamentos mais construtivos, em que as trocas são constantes entre as partes.
No ambiente de trabalho, ela está diretamente ligada à produtividade, já que os profissionais possuem espaço para compartilhar informações e aprendizado. “Pensamos em eficiência como sendo racional e empatia como sendo emocional. No entanto, essas coisas sempre trabalham juntas”, ressalta Krznaric.
A Revista Exame reuniu dicas do filósofo Krznaric e do neuropsicólogo Fabrício para desenvolver a empatia. Confira abaixo:
A prática de se colocar no lugar do outro é fundamental para aprimorar a empatia e a compreensão interpessoal, afirma o neuropsicólogo. “Vivemos em uma sociedade que cada vez mais isola os seres humanos e faz com que eles sejam autocentrados.
Então, a primeira coisa a se fazer para desenvolver essas habilidades é estar em um local social, como um grupo ou time. Profissionais que trabalham em casa, por exemplo, são menos propensos a ter feedback social e desenvolver essas competências interpessoais”, aponta.
Buscar o autoconhecimento também é uma ferramenta valiosa para fortalecer a empatia e a compreensão interpessoal. “Se você conhece seus limites, sabe fundamentar suas opiniões e tem uma autoestima fortalecida, acaba não se privando de entrar em situações que possam colocar em xeque o que você acredita. Consequentemente, isso aumenta a probabilidade de troca com outras pessoas e isso puxa a empatia”, analisa Fabrício.
“Desenvolva sua curiosidade sobre os desconhecidos conversando com um estranho uma vez por semana. Fale com alguém que é diferente de você – a mulher que lhe vende jornal ou pão a cada manhã. Tente ultrapassar a conversa superficial, porque é sobre achar a humanidade compartilhada, desafiar suposições.
“Pense ‘como posso praticar empatia nas minhas relações cotidianas?’ Em particular, ouvindo empaticamente. Como eu posso realmente ouvir meu colega de trabalho, e realmente praticar a habilidade de ouvir os sentimentos e necessidades das pessoas.